quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Cratera artificial

Encontrei isso hoje:

"Para encontrar água, Nasa vai bombardear a Lua nessa 6ª feira"
( http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI4028090-EI301,00-Para+encontrar+agua+Nasa+promovera+impacto+na+Lua+nesta.html )

Não sei se tenho forças e estômago suficientes para comentar sobre esta notícia.
Somente me pergunto por que há a necessidade de ir tão longe? Por que a necessidade de se superar cada vez mais? Por que a necessidade de se sentir grande? Por que a necessidade de garantir que em nome da ciência tudo vale? Por que essa maldita mania de acha que tudo pode? Por que essa mania de achar que tem poder? Por que essa mania de querer saber o por quê? Porque essa mania de destruição do que está ao redor...?

Como que a Nasa pode simplesmente decidir bombardear a Lua como se Ela a eles pertencesse? Não compreendo essa soberania humana diante das coisas, essa prepotência humana diante das coisas ... Como que um grupo mísero de pessoas em relação ao resto do mundo decide o que vai ser feito com o satélite natural da Terra? Como que um grupo mísero de seres-humanos acham que tem livre decisão para resolver o que se vai fazer a algo que simplesmente pretence ao universo!

Existe algo de muito errado nessa maneira de lidar com as coisas, com todas as coisas!

Qual a real vantagem de se saber se há realmente água na Lua ou não? A Nasa deveria estar preocupada em descobrir água aqui na Terra, em preservar a água aqui da Terra!
E por que enquanto tais senhores humanos tão nobres e inteligentes se ocupam bombardeando a Lua em nome da ciência, aqui na Terra, humanos que não considerados tão nobres assim sofrem com a miséria, com a simples falta de alimento, com a simples falta de um lugar para enconstar a cabeça e dormir, com a simples falta de água?

Mas fiquemos felizes, senhoras e senhores! Há água na Lua...

Esse suposto saber humano me enoja!
Essa comprovada hipocrisia humana me enoja mais ainda!

Me sinto fraca diante disso. Por não poder fazer nada por quem já fez tanto por mim...
Desculpe. A única coisa que consigo fazer é derramar lágrimas...
Por Ti e pelo destino humano.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Saúde!

É a doença da Vaca-Louca, a Gripe do Frango ou a Gripe Suína dessa vez?

Mas, sinceramente: vocês não acham no mínimo curioso essas doenças surgirem justamente nos animais que criamos para nosso uso e alimentação?
Só para se pensar...

Ou será que algum dia ouviremos falar do Transtorno do Ornitorrinco?

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Descartes ao redor

Ontem eis que vejo uma garota dentro do ônibus comendo um lanche e quando ela acaba o lanche ela faz o ato, como se fosse a coisa mais natural do mundo, de abrir a janela e atirar para fora dela, com o ônibus em movimento, o pequeno guardanapo que envolvia seu lanche.
Me pergunto se só eu fiquei chocada com tal cena, se as pessoas ao redor não se importaram com essa corriqueira cena. Ela estava dentro do ônibus, ela tinha uma bolsa, ela tinha bolsos, ela tinha mãos para segurar o papel até que encontrasse um destino melhor para ele! Ela poderia apenas ter segurado e aguardado sua hora de levantar para destinar o papel na lixeirinha do ônibus! Mas não: ela simplesmente joga o papel pela janela.

Esse ato simplesmente não faz sentido pra mim! Não consigo compreender, não há compreensão! Não é possível que um simples pedaço de papel incomode tanto que não possa simplesmente ser guardado para ser jogado mais tarde. E vendo essa cena ontem, me fez relembrar de todas as outras cena parecidas que já vivenciei em minha mediocre vida:

Certa vez, dentro do ônibus, uma garota deu um pacote de bolachas vazio para o amigo que estava sentada ao lado dela e pediu pra que ele jogasse a embalagem pela janela. O amigo perguntou por quê ele deveria jogar a embalagem pela janela, o amigo não via necessidade disso! Mas a garota simplesmente falou "joga isso logo, caramba" e o amigo simplesmente o fez.
Não sei com quem eu fiquei mais revoltada: com a garota mal-educada, com o amigo trouxa ou comigo mesma! A testemunha muda, que não se manifestou, que nada teve a falar. Sim! Deveria ter levantado e dito: "Você está certo, não tem que jogar porra nenhuma pela janela não! Você deveria ensinar a sua amiga a ser mais educada!".
Por que não o fiz? Por diversos motivos. Primeiro porque não me veio o ímpeto de coragem que a situação exigia naquele momento. Também porque eu não queria correr o risco de levar um soco da garota mal-educada... Mas o fato é que eu não disse nada, fiquei calada! E isso me faz tão trouxa quanto o amigo ao lado.

Lembro de outra situação que ocorreu no ônibus (sim, ônibus são bons lugares para se observar pessoas e para passar por situações inusitadas!). Nessa época eu era uma garota de 14 anos em plena puberdade, muito insuportável e que andava de ônibus! E nessa época eu estava começando a me questionar porque eu não prestava atenção nos meninos ao meu redor - e isso era estranho porque as garotas ao meu redor surtavam por eles, mas isso sinceramente não vem ao caso.
Enfim, voltando ao terceiro caso do ônibus. Passei eu pela catraca e eis que vejo sentado em um banco um garoto. Um garoto muito interessante, por sinal! Sim, ele era bonito e eu dizia pra mim mesma que garotos eram interessantes e que eu devia prestar mais atenção neles! E fiquei eu lá, sentadinha no meu banco, admirando o Deus Grego do momento. Cabelos cacheados, barba, camiseta branca e tomando uma garrafa de Gatorade, sim era um bela paisagem.
De repente o ônibus entrou por uma ponte e o garoto tão admirável simplesmente se levantou e arremessou a garrafa de Gatorade - agora vazia - em direção ao Rio Tietê. Senti nesse mesmo instante que era o meu tesão que estava sendo jogado fora pela janela. E concluí, nesse mesmo instante, que eu havia descoberto a resposta do por quê eu não me interessava por garotos... Incrível como ele se transformou do Deus Grego ao garoto idiota do ônibus em tão míseros segundos.

Há ainda uma outra história e essa não aconteceu no ônibus, mas na fila para adentrar nele. Estava a esperar meu transporte em seu ponto final para ir para casa. Estava então na fila, com algumas pessoas na minha frente e com algumas pessoas atrás, em especial uma senhora cheia de sacolas que estava exatamente atrás de mim. De repente ela tira um doce de dentro de uma das sacolas, abre a embalagem e eis que um pedaço rasgado da embalagem cai no chão e meus olhos o seguem. Mas os olhos da senhora não o seguiu. Ela simplesmente terminou de abrir a embalagem e passou a comer seu doce deliciosamente.
Fiquei atormentada com aquele pedaço de papel no chão. Queria deixar pra lá, porque afinal, eu não sou empregada de ninguém pra recolher papel alheio e também, o que me dá o direito de ficar dando liçõezinhas de moral por aí em filas de ônibus aleatórias. Mas... Eu fiquei atormentada com aquele pedaço de papel no chão.
E eu olhava para aquele fragmento amarelo no chão e olhava para a senhora que comia o doce, olhava para o fragmento amarelo e olhava para a senhora comendo o doce, olhava para o chão e olhava pra cima de novo, até que decidi! Decidi que dessa vez eu não iria ser mais uma testemunha muda e arrependida: me abaixei, peguei o papel do chão e levantei o mostrando para a senhora, dirigi-me a uma lixeira que ficava a dois passos do local em que estávamos e depositei o tal fragmento amarelo. E fiquei em paz comigo mesma. Porque eu agi!
Porque fiz o que achava certo ser feito.

O mais incrível desta última história é que eu me manifestei, eu fiz algo para ser ouvida e eu fui ouvida.
Depois de ter jogado o papel no lixo, retornei ao meu lugar na fila e dei as costas para a mulher do doce. Fiquei ouvindo minha música durante um tempo até que senti um cutucão nas costas: era a mulher do doce que me mostrava a embalagem - agora vazia - e que se encaminhava para jogar a embalagem no lixo, naquela mesma lixeira que ficava a dois passos do local onde estávamos. Ela me disse: "Você está certa!". Diante disso eu pedi desculpas à senhora, caso eu tivesse sido rude com ela e ela tivesse ficado ofendida, mas ela respondeu: "Não, você está certa! Eu sou protestante e anuncio a palavra de Deus. Anuncio e luto pelas minhas crenças, pelas coisas que eu acredito! E você fez a mesma coisa, você se pronunciou pelo que você acredita, pelo que você acha certo. Você está certíssima!", e me deu um sorriso.

Não esperava ouvir isso da senhora do doce. Mas foi muito bom ouvir isso da senhora do doce. Porque por tantas vezes a gente luta por algo e lutamos sozinhos! E às vezes parece que estamos tão sozinhos que nos falta força pra lutar. Mas uma manifestação como essa nos faz lembrar que se conseguirmos atingir uma pessoa que seja, se conseguirmos alterar uma atitude, toda a luta não terá sido em vão.

Conclusões? As pessoas ainda tem uma relação com o lixo que me surpreende. Como ainda falta consciência a ser alcançada!
Mas acho que a mensagem principal aqui é que existem muitas coisas erradas que acontecem ao nosso redor e que na maioria das vezes não fazemos nada para mudar, nem para pronunciar nossa posição: Ficamos estáticos, testemunhas mudas - revoltadas! Mas mudas. Do que adianta então só se revoltar, só reclamar?

Apelo para que passemos a agir! A fazer! Por favor! Que não joguemos nossos ideais pela janela, nem no chão para que sejam pisados e massacrados. Apelo para que tenhamos objetivos para lutar!

E não quero saber de merda nenhuma sendo jogada fora pela janela do ônibus! Porra!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Ano Novo